Página de arquivo 2

27
out
11

Eduardo Cadava fala sobre a relação entre vida e morte na obra de Félix Nadar

©Leandro Pimentel

O primeiro dia do Seminário Linguagens Itinerantes da Fotografia contou com a palestra do professor da Universidade de Princeton, Eduardo Cadava, que é um dos membros do comitê científico do seminário. O palestrante percorreu o texto do fotógrafo francês Félix Nadar, “Quand j’étais photographe”, publicado em 1900 e sem tradução em português. Composto de 14 vinhetas, o texto fala de uma “photographopolis”, expressão usada pelo fotógrafo tanto para a cidade de Paris, capital da fotografia no século XIX, quanto para um nascente mundo fotográfico de cópias, repetições e simulacros.

O professor falou de Félix Nadar como um pensador da primeira fotografia, complementar à figura de famoso fotógrafo retratista, caricaturista e personalidade popular na Paris moderna. O curioso texto das memórias de Nadar, uma performática e alegórica autobiografia, fala da história da fotografia e de suas invenções sem utilizar fotos propriamente ditas. Ao contrário, o fotógrafo constrói “instantâneos em prosa” para falar da fotografia vivenciada em seu tempo.

Félix Nadar inicia suas memórias referindo-se a uma teoria de Balzac, que compreende que todos os seres da natureza possuem camadas de espectros fantasmagóricos que os definem e constituem, e que a cada foto clicada uma dessas camadas é capturada do corpo e colocada na fotografia. Partindo dessa compreensão, Cadava fala da multiplicidade das imagens apresentada no rosto humano, que segundo ele mostra-se como um arquivo de relações que são estratificadas no retrato fotográfico em suas diversas temporalidades. Um exemplo citado pelo professor foi a famosa série de autorretratos de Nadar em que ele aparece em cada pose girando ao redor do seu eixo, enfatizando a repetição de um eu múltiplo.

Cadava ressalta que nas memórias de Nadar a alegoria aparece diversas vezes, como na passagem em que o fotógrafo discute com um jovem sobre a possibilidade de se tirar fotos em grande distância de coisas que ele não pode ver, como uma fotografia tirada de Montmartre que pudesse alcançar a cidade de Deuil, que na realidade não existe, confirmando assim o caráter alegórico no emprego desta palavra que traduzida significa luto. Esta visualidade que está na fronteira do visto e do não visto aparece no texto também pelo ambiente dessa conversa, que se dá no momento do crepúsculo, fronteira entre o dia e a noite.

Em outra vinheta intitulada de “fotografia homicida”, o fotógrafo conta o caso de um assassinato protagonizado por um farmacêutico (que segundo Cadava aproxima-se de alguma forma do ofício laboratorista do fotógrafo manipulador de químicos) cuja a circulação de fotografias do crime teve repercussões sensacionalistas no crescente jornalismo moderno. Cadava fez aproximações com outra imagem de um cadáver, discutindo as violências embutidas nessas imagens e a partir delas, fazendo também relações entre a fotografia e a morte.

Esta relação repete-se na última vinheta citada que traz a experiência do fotógrafo no subterrâneo de Paris. As fotografias realizadas nas catacumbas faziam parte dos experimentos pioneiros de Nadar com a iluminação artificial; devido à ausência de luz, ele utilizou manequins representando trabalhadores em algumas imagens. Eduardo Cadava comenta essas imagens ressaltando o aspecto sombrio desta “necrópolis”, repleta de crânios que sugerem máscaras do teatro e manequins que funcionam como dublês, aquilo que pode ser mais de um.

A Paris de Nadar é sempre duplicada. No outro oposto das fotos feitas no subsolo da cidade, Nadar também explora o mapeamento da cidade por uma visão aérea marcada pela infinitude. Tais fotos feitas a partir de um balão (Le Géant/ O Gigante) mostravam uma Paris em transformação pelas reformas urbanísticas implementadas por Haussmann, também debatida por Charles Baudelaire e Walter Benjamin. Entre a memória de uma cidade que não existe mais, ou das imagens que em breve se apagarão, Cadava vê no fotógrafo uma grande preocupação em preservar pela fotografia o que está fadado a passar, em uma atitude saudosista e de luto que se preocupa em conservar o passado, deter o tempo que encaminha tudo de alguma maneira à morte. Para Eduardo Cadava, Paris é a própria alegoria da obra de Nadar marcada pela itinerância que liga a vida e a morte.

Cadava acentuou que um dos interesses dele no momento com esta pesquisa é que a fotografia aparece sempre junto com outras linguagens. Neste caso de Nadar, ele sublinhou o caráter perfomático de seu texto autobiográfico, levado pouco em conta pelos estudiosos até então. Comentou que Nadar escreveu em seções que estabelece interrupções na escrita, de alguma forma similar à fotografia que sempre aparece como interrupção. Assim, cada fotografia sempre fala de morte e de vida. “Nadar mostra uma Paris em transformação e a fotografia surge como forma de luto onde tudo e as pessoas estão destinadas a morrer, a não existir”, afirma Eduardo, que acrescenta “a ênfase da minha idéia de fotografia é na morte, mas a apresentação é uma encenação”.

Mariana Bria e Jane Maciel

25
out
11

Vagas e desistências

Infelizmente, não há mais vagas para o evento e não será possível a entrada sem inscrição prévia. No entanto, comunicamos que, caso haja desistências, abriremos as vagas para os interessados que aguardarem na recepção de cada auditório.

Informamos também que, para a palestra de 28/10 às 15h no IM, devido ao espaço da sala disponível neste horário, trabalharemos com um limite de 20 vagas. Atenção: a inscrição no seminário não garante esta vaga. Para assistir a esta palestra, compareça com antecedência ao local indicado. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada e de acordo com o limite de lugares.

Confira a programação do evento.

19
out
11

Memória itinerante: relações entre história e fotografia

Traçar os itinerários da memória relacionando prática fotográfica e experiência histórica é o meio pelo qual a pesquisadora Ana Maria Mauad conceitua o engajamento a uma causa como forma de autoria fotográfica. Este trabalho, que será apresentado no Seminário Internacional “As linguagens itinerantes da fotografia” no dia 27 de outubro de 2011, é resultado de uma extensa trajetória acadêmica que relaciona a fotografia ao estudo e pesquisa em História. Atual coordenadora do Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense, Ana Mauad acredita na fotografia como agente da história. “Não somente como fonte, nem somente objeto de estudo, mas uma nova dimensão de ator histórico do qual se derivam experiência e práticas”.

Em “Itinerários da memória – práticas fotográficas e trajetórias profissionais”, trabalho por meio do qual realizou uma série de entrevistas à fotógrafos que atuaram na grande imprensa e na imprensa independente do Brasil, Mauad destacará as relações destes elementos com construção dos acontecimentos históricos. Para ela, trata-se de um processo de rememoração individual que projeta lembranças no âmbito da memória histórica articulando sentidos por meio das fotografias produzidas e publicadas. Assim, “A itinerância das memórias se faz por meio das fotografias que adquirem uma dimensão pública”.

“Itinerários da memória – práticas fotográficas e trajetórias profissionais”

Ana Maria Mauad (Universidade Federal Fluminense)

27 de outubro de 2011 às 09h no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ

Para se aprofundar no tema:

Através da Imagem: Fotografia e História-Interfaces (Ana Mauad, Revista Tempo, 1996)

19
out
11

Um seminário itinerante: história, fronteiras e perspectivas

O Seminário Internacional “As linguagens itinerantes da fotografia”, que tem início no dia 26 de outubro de 2011, é uma iniciativa estabelecida entre a Universidade de Princeton (EUA) e instituições de pesquisa de diversos países. O objetivo do projeto, como o próprio nome indica, é dar ao debate em torno da fotografia um caráter itinerante. Os dois primeiros seminários organizados foram na própria Universidade de Princeton, com participação de pesquisadores e artistas americanos, europeus, brasileiros e argentinos. Já na sua terceira edição, o seminário partiu para Barcelona, ressaltando ainda mais sua idéia central. Segundo Mauricio Lissovsky, coordenador do evento no Brasil, o propósito era trabalhar a partir de perspectivas diferentes, em ambientes culturais e institucionais diversos.

Em sua quarta edição, o seminário ocorrerá na cidade da Rio de Janeiro. Para Mauricio, trata-se de uma oportunidade de entrar em contato com pesquisadores importantes de várias instituições estrangeiras que raramente se apresentam no Brasil. “Em se tratando de fotografia, essas oportunidades são ainda mais raras”. A parceria, estabelecida com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e com o Instituto Moreira Salles, permite reforçar os laços de intercâmbio e solidariedade acadêmicas com pesquisadores de outras partes do mundo.

A respeito dos debates, o seminário abordará os diversos modos pelos quais as fotografias atravessam períodos históricos, fronteiras e diferentes mídias. À medida que a fotografia torna-se itinerante, ela se redefine, é recontextualizada e relida. Este evento pretende, portanto, ajudar a compreender o lugar e o papel destas imagens na contemporaneidade. Trata-se, segundo Mauricio, de “expandir os horizontes e multiplicar as oportunidades de reflexão acerca da fotografia no Brasil”.

10
out
11

Inscrições encerradas!

Agradecemos o interesse de todos, mas infelizmente, devido ao limite dos auditórios, não será possível a entrada dos interessados que não efetuaram a inscrição.

As palestras, no entanto, serão transmitidas ao vivo através deste link.

Enviaremos em breve confirmação de inscrição aos que preencheram o formulário com sucesso. Aguardem o contato.

07
out
11

Acompanhe as atualizações do Seminário

O Seminário Internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia” conta com uma equipe formada pelos alunos e pesquisadores da Escola de Comunicação da UFRJ. Para divulgar e realizar a cobertura do evento, nossa equipe criou site, Twitter e Facebook.

Acompanhe as atualizações do evento através destas mídias: 

O site será atualizado constantemente com novas matérias, entrevistas, vídeos e fotografias do evento. Ele conta também com um espaço para a transmissão ao vivo das palestras: http://fotoitinerante.wordpress.com/transmissao-ao-vivo/

O Twitter e o Facebook são os espaços pelos quais divulgaremos as notícias do site, informações importantes e responderemos as dúvidas dos usuários. É também um espaço para compartilhamento de vídeos, fotografias e links da cobertura do evento.

07
out
11

Inscrições abertas a partir do dia 10/10

O Seminário Internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia” ocorrerá nos dias 26 e 27 de outubro de 2011 no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Campus Praia Vermelha – Urca) e no dia 28 de outubro de 2011 no auditório do Instituto Moreira Salles (Gávea).

Cada auditório possui a capacidade máxima de 80 inscritos e devido ao grande interesse do público, pedimos que os interessados fiquem atentos à data de inscrição neste site. Não será possível a entrada no auditório dos interessados que não efetuarem a inscrição e receberem email de confirmação. Porém, as palestras serão transmitidas ao vivo através deste link.

Para fazer a inscrição, basta realizar o cadastro que estará disponível na página INSCRIÇÃO deste site a partir do dia 10 de outubro de 2011. Qualquer interessado poderá realizar o cadastro, seja estudante ou não. As inscrições para o seminário são gratuitas e limitadas. Os inscritos que comparecerem às palestras receberão certificado de participação.

Programe-se e acompanhe nossas atualizações através do site, do Twitter e do Facebook.

ABERTURA DAS INSCRIÇÕES: 10 de outubro de 2011

Após realizar sua inscrição, aguarde confirmação por email.

06
out
11

Dicas de Transporte no Rio de Janeiro

Visitando o Rio de Janeiro pela primeira vez? A equipe do Seminário internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia” dá as dicas de como aproveitar melhor a cidade.

TRANSPORTE

Para aqueles que chegam pela rodoviária Novo Rio, a dica é pegar o ônibus do metrô que conecta os passageiros à estação da Estácio (mais próxima – percurso em torno de 10 minutos) ou à estação do Largo do Machado (ponto final e mais longa – percurso em torno de 45 minutos). O passageiro pode pegar o ônibus dentro do próprio terminal rodoviário, próximo ao portão de saída. O usuário pode optar ainda por continuar a usar o serviço do metrô, basta solicitar ao motorista do ônibus a conexão metrô no ato do pagamento da tarifa. Confira aqui o itinerário:

Expressa - 133 - Largo do Machado / Estácio / Rodoviária

Tarifa Expressa + Metrô: R$4,00

Para os que chegam pelo aeroporto, há ônibus que sai do Galeão, passando pelo aeroporto Santos Dumont e em direção ao Terminal Alvorada. Esta é uma boa opção para aqueles que chegam pelo Galeão e se hospedam próximo à Praia do Flamengo, Av. Lauro Sodré (UFRJ, Urca e Shopping Rio Sul), Av. Princesa Isabel (Copacabana), Av. Atlântica (Copacabana). O valor da tarifa é R$7,50 e o ônibus encontra-se em frente à saída do Terminal de Desembarque do aeroporto Galeão. Confira o itinerário:

LINHA 2018 – AEROPORTO INTERNACIONAL DO RJ – ALVORADA C/AR – REGULAR – ONIBUS ROD. C/ AR

Companhia: REAL AUTO ONIBUS LTDA

Para os que chegam pelo aeroporto Santos Dumont, a melhor opção é o Taxi ou o Transporte Público. Em relação aos taxis, há os com tarifa normal (taxímetro) ao final do Terminal de Desembarque e os de Tarifa Fixa nos guichês do salão de desembarque (custo maior). Recomendamos o taxi para os inscritos que chegarem durante o período noturno. O transporte público mais próximo fica logo ao sair do estacionamento do aeroporto. Há um ponto à direita, para que vai em direção à Av. Brasil, e um ponto atravessando a passarela, para quem vai em direção à Copacabana. Consulte os itinerários dos ônibus do Rio de Janeiro: http://www.rioonibus.com/guia_de_itinerarios/index.asp

Para que vem de carro de outras localidades, o estacionamento em vias públicas no Rio de Janeiro é um tanto difícil, seja pela poucas vagas ou pela rotatividade. Há, no entanto, uma variedade de estacionamentos privativos por toda a cidade, cujo custo é maior mas permite um pouco mais de facilidade, tranqüilidade e conforto. Saiba mais sobre o sistema de estacionamento rotativo do Rio: http://www0.rio.rj.gov.br/smtu/cetrio/est_rio_rotativo.htm

02
out
11

Apresentações previstas para o seminário

O seminário internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia” ocorrerá entre os dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011 na Escola de Comunicação da UFRJ e no Instituto Moreira Salles (RJ) e abordará os vários modos pelos quais as fotografias atravessam períodos históricos, fronteiras nacionais e diferentes mídias. Embora venham sendo apropriadas e intercambiadas em diferentes contextos nacionais e internacionais desde a segunda metade do século XIX, estes movimentos agora ocorrem em uma velocidade sem precedentes, graças especialmente às novas tecnologias. Através de um ciclo de debates, o evento pretende, portanto, ajudar a compreender o lugar e o papel destas imagens na contemporaneidade. Com foco na itinerância, as mesas de debates incluem pesquisadores de diferentes países e de distintas disciplinas e abordarão três problemas-chave: circulação das imagens para além das fronteiras culturais, sociais, étnicas e nacionais; diálogo entre fotografia e outras mídias no contexto internacional; e relação entre fotografia e arquivo, no que toca à memória, à história, à justiça e à poética fotográfica.

Confira as apresentações previstas para o seminário aqui.

28
set
11

Divulgue!

Seminário Internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia”

Seminário Internacional “As Linguagens Itinerantes da Fotografia”




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